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Tratamento de chorume: solução para a destinação final correta e segura

Publicado em 26-05-2021 8:00

tratamento de chorume offsite

 

Segundo o último Atlas da Destinação Final de Resíduos da Abetre, dos 5.570 municípios brasileiros, 2.752 têm os aterros sanitários como alternativa de descarte, sejam eles municipais, privados ou de consórcios.

 

Em dados mais consolidados, os aterros sanitários recebem 58% do volume total de tratamento de resíduos públicos no Brasil e, embora seja uma opção adequada para destinação, estes locais requerem cuidados.

 

Isso porque o processo de decomposição de todo o volume de lixo armazenado libera efluentes líquidos denominados “percolados de aterro sanitário”. Em junção com a água da chuva, este material resulta no chorume, substância de coloração escura, forte odor e que contém alta carga orgânica em sua composição, podendo se apresentar como um desafio aos gestores no que tange às técnicas de tratamento adequadas para este resíduo.

 

Por que tratar corretamente o lixiviado?

 

Para que os aterros sanitários tenham um funcionamento adequado e ambientalmente correto, é essencial que contem com elementos para captação, armazenamento e tratamento do lixiviado, bem como os sistemas de impermeabilização inferior e superior. 

 

Caso contrário, a matéria orgânica presente na massa de resíduos descartados produz uma quantidade considerável de chorume, o qual, por sua vez, pode contaminar o meio ambiente e trazer danos à saúde pública. 

 

Como apresenta baixa biodegradabilidade, alta carga de materiais na composição e compostos orgânicos tóxicos, este líquido residual se não for devidamente tratado, é capaz de atingir e contaminar o lençol freático de forma irreversível, prejudicando os cursos de água da região. 

 

Diante da gravidade destes possíveis desdobramentos, a norma NBR 8419/1992 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) dispõe sobre as condições mínimas estabelecidas para a construção e operação de um aterro sanitário, exigindo que o projeto inclua um sistema de coleta, drenagem e tratamento de líquidos percolados. 

 

A negligência dessas diretrizes pode acarretar em severas multas e até mesmo na paralisação das operações.

 

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Os tipos de chorume gerados em aterro

 

Os aterros sanitários também podem gerar dois tipos de chorume: os provenientes dos resíduos classe I (perigosos) ou dos resíduos classe II (não perigosos). Essa divisão, direcionada pela norma ABNT NBR 10004:2004, é feita da seguinte forma:

 

Chorume de aterros classe I: proveniente da decomposição de resíduos mais tóxicos ao ser humano e meio ambiente, os quais têm características como corrosividade, inflamabilidade, reatividade e patogenicidade.  É possível citar, por exemplo, óleos, tintas e thinner.

 

Chorume de aterros classe II: nessa classe, há uma subdivisão: classe II – A não inertes e classe II – B inertes. 

 

O chorume classe A, é resultante da decomposição de resíduos de baixa periculosidade, mas que ainda podem ter reações químicas em certas situações, como o lixo orgânico, borrachas, plásticos e vidros. Já os da classe B são derivados de materiais inertes e que não apresentam riscos, como madeira, ferro e sucatas. 

 

As alternativa para um tratamento de acordo com a legislação

 

Para lidar com o chorume, os aterros sanitários podem contar com duas alternativas:

 

Onsite: Nesse método, a construção, operação e manutenção do sistema de tratamento do chorume é realizada in loco, com recursos específicos da empresa ou da contratada, que também será a responsável por todos os procedimentos relacionados à implantação, operação, manutenção, tratamento e encaminhamento adequado do efluente tratado. 

 

Offsite: Nessa alternativa, o aterro deixa de investir na construção, operação e manutenção do sistema de tratamento, e consequentemente, não assume grande parte dos riscos operacionais, trabalhistas e ambientais entregando essa responsabilidade para especialistas, já que os processos de recebimento, tratamento e monitoramento do chorume ficam a cargo da empresa contratada.

 

Além da escolha da modalidade, há também a necessidade de verificar o tipo de tratamento mais adequado para o lixiviado. As alternativas são:

  • tratamento biológico, realizado em lagoas anaeróbias, aeróbias e lagoas de estabilização;
  • tratamento por oxidação, que ocorre por meio da queima e evaporação do chorume;
  • tratamento químico, onde há a adição de substâncias químicas ao chorume.

Normalmente, o tratamento biológico é uma das opções mais econômicas e eficientes para a degradação da matéria orgânica. De modo geral, nesse método ocorre a ação de agentes biológicos como protozoários, bactérias e algas. 

 

Como adotar uma gestão adequada para o tratamento do lixiviado?

 

Quando os processos de tratamento são realizados na modalidade offsite, ou seja, por meio de fornecedores externos, há três agentes: o gerador, no caso o aterro, o transportador, responsável por realizar toda a movimentação, e o receptor, que recebe e trata os resíduos. 

 

Um gerenciamento eficiente do lixiviado envolve cuidados de todos os agentes nas etapas, desde a geração do efluente no aterro até a destinação final. As práticas mais adequadas para cada estágio são:

 

  • Geração: a geração do chorume se dá pela decomposição da matéria orgânica, porém, nessa fase o gerador deve evitar o contato do lixiviado com as águas subterrâneas, e para isso é necessário que ocorra a impermeabilização do solo. No estado de São Paulo, por exemplo, a CETESB estabelece que essa prática pode ser feita com argila ou geomembranas sintéticas.
  • Coleta e armazenamento no aterro: a coleta de chorume deve ser feita pela base do aterro onde o efluente é coletado por meio de um sistema de drenagem que também impermeabiliza o solo, de modo a minimizar riscos de contaminação. Posteriormente, o líquido percolado é enviado para lagoas previamente preparadas com impermeabilização do seu contorno ou para tanques de armazenamento fechados.
  • Encaminhamento para tratamento em unidades terceirizadas: o momento de remoção do líquido percolado deve, sobretudo, evitar a exposição do efluente. Nessa etapa, tanto o gerador quanto o transportador devem priorizar métodos que possibilitem remover os resíduos de forma correta e segura, evitando contato do mesmo com a atmosfera.
  • Transporte: a transportadora deve ser avaliada considerando aspectos relacionados à situação regular e licenças estabelecidas pelos órgãos regulamentadores; o gerador deve ter as documentações necessárias, as quais aprovam o encaminhamento de resíduos de interesse ambiental a locais de reprocessamento.
  • Tratamento: no tratamento, o receptor deve assegurar processos necessários para se estar de acordo com a legislação, além de garantir a destinação final ambientalmente adequada.
  • Destinação final e comprovação: mesmo com a terceirização do tratamento do lixiviado, os aterros continuam responsáveis no caso de geração de passivos ambientais. Por esse motivo, é fundamental exigir do receptor os documentos que comprovem as práticas corretas, como é o caso do Certificado de Destinação Final (CDF).

Por que o tratamento de efluentes offsite é a solução adequada para a destinação de chorume?

 

Operar uma estação que trate chorume in loco (onsite), demanda a elaboração de um projeto complexo e altamente eficiente para que sejam consideradas as melhores alternativas.

 

Por outro lado, destinar o efluente para parceiros especializados garante a segurança no tratamento além de apresentar bom custo-benefício.

 

No caso do trabalho desenvolvido pela Tera Ambiental, enquanto o efluente volta para a natureza de acordo com os padrões estabelecidos, o lodo resultante do processo de tratamento é destinado para a planta de compostagem e reaproveitado junto a outros resíduos agroindustriais, transformando-se em um fertilizante orgânico composto de valor para a agricultura e paisagismo.

 

Essa técnica, além de não gerar passivos ambientais, ainda contribui para a economia circular e garante o atendimento à legislação.

 

Para saber mais sobre o tratamento de chorume da Tera Ambiental, entre em contato com um especialista.

 

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Tópicos: aterro sanitário, tratamento de chorume

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