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Fertilizantes orgânicos compostos, condicionadores de solo e estercos “Maior sustentabilidade à luz da microbiologia do solo”

Publicado em 30-08-2018 18:03

Fertilizantes orgânicosOs estercos gerados na criação de animais confinados, sobretudo as chamadas “camas de aviário”, e aqueles gerados em granjas de aves poedeiras impõem concorrência ao segmento fabricante de fertilizantes orgânicos compostos e condicionadores de solo. Em que pese o fato de a comercialização destes resíduos ser dispensada de registro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), desde que não seja objeto de qualquer processo de industrialização, conforme estabelece o Artigo 18 do Decreto n° 4.954 de 14/01/2004, é notório que não existe controle deste mercado pelos órgãos de governo.

 

No entanto, este tema nos parece de relevante importância quando nos atentamos para as imensas quantidades geradas e a ampla distribuição das unidades geradoras em toda a região centro e sul do Brasil. De acordo com o Diagnóstico dos Resíduos Orgânicos do Setor Agrossilvopastoril e Agroindústrias Associadas, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2012), o Brasil gera, anualmente, 16,2 milhões de toneladas de dejetos da criação de frangos de corte, sendo que, deste total, 94% se concentram nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul de nosso país. Quanto aos dejetos de aves poedeiras, o IPEA aponta para 11,7 milhões de toneladas anuais, sendo que 76% se concentram nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

 

Diante deste contexto, um dos questionamentos mais comuns feitos pelos agricultores aos técnicos das empresas produtoras de fertilizantes orgânicos e condicionadores de solo é o porquê de se usar um fertilizante ou condicionador obtido de um processo de compostagem de resíduos ao invés de se usar os resíduos diretamente, no caso os referidos estercos, sendo que, por vezes, estes resíduos apresentam preços mais atrativos.

 

A resposta não é simples e nem direta e requer uma ampla abordagem para que sejam contemplados todos os aspectos relevantes ao assunto. O primeiro aspecto a ser abordado é quanto à segurança sanitária dos referidos produtos. Independentemente das matérias primas utilizadas e da Classe do produto, quaisquer que sejam os fertilizantes orgânicos compostos ou condicionadores de solo, eles são objetos de rigoroso controle de qualidade sanitária, sendo obrigatório o atendimento ao disposto na Instrução Normativa no 07 de 12/04/2016 do MAPA. Não menos importante é a valoração dada pelas imposições legais às garantias do produto, sobretudo quanto à sua qualidade física e físicoquímica, intensamente fiscalizadas pelo MAPA. Estes são, sem dúvida, importantes contrapontos aos estercos que, apesar da obrigatoriedade de comercialização direta entre gerador e consumidor (agricultor) ou como matéria-prima para uma indústria, não raros são relatos de flagrantes de adulteração pela adição de areia, além da presença de fragmentos de materiais inertes como pedras, metais e até vidros.

 

Cumpre-nos reconhecer as atrativas concentrações de NPK nestes resíduos, principalmente aqueles gerados na criação de aves, mas é importante esclarecer ao agricultor que o segmento legalmente estabelecido para produção de fertilizantes orgânicos compostos e condicionadores de solo não tem como propósito principal entregar NPK. A comparação por este critério é completamente equivocada! O que o segmento entrega, por meio de seus produtos, antes de tudo, é matéria orgânica de qualidade, bioestabilizada e humificada, a fim de fazer diferença no solo, sobretudo pela sua persistência no sistema solo-planta e a sua aptidão para proporcionar amplos e conhecidos efeitos, ou seja, aumentar a CTC do solo, a capacidade de retenção de água, sua atividade biológica, além de fornecer e aumentar a eficiência no aproveitamento dos nutrientes pelas plantas.

 

Neste particular, é fundamental esclarecer ao agricultor que a matéria orgânica dos estercos aqui referenciados, essencialmente os estercos das aves, é extremamente lábil e por isso rapidamente biodegradada no solo, sem, portanto, nenhuma persistência no ambiente e com baixa eficiência sobre as propriedades do solo. Aliás, por vezes, podem ser observadas reduções nos teores originais de matéria orgânica do solo tratado com estes estercos em razão de um fenômeno amplamente conhecido pela ciência que é o chamado “efeito priming”. Ele ocorre quando um solo tem sua atividade biológica intensificada por matéria orgânica facilmente degradável e, com isso, tem-se uma rápida multiplicação dos microrganismos, o que acaba por consumir também a matéria orgânica “nativa” do solo.

 

Em contraposição, pesquisas recentes vêm demonstrando que a compostagem de materiais orgânicos aumenta significantemente seu teor proporcional em carbono, ou seja, em matéria orgânica. Ademais, ocorre profunda transformação química dessa matéria orgânica, tornando-a de difícil degradação, resultando em material de longa permanência no solo, ensejando todos aqueles efeitos supracitados, produzindo um solo com alta qualidade e com saúde biológica, apresentando grande resiliência aos fatores impactantes, com maior fertilidade e produtividade.

 

Isto posto, é plausível afirmar ao produtor que, ao comprar “cama de aviário” e estercos de aves poedeiras como fonte de NPK, ele pode estar pagando um preço justo, mas é certo que, ao comprar estes resíduos como fertilizante orgânico ou condicionador de solo, seguramente estará pagando pela matéria orgânica que não leva!


Fernando C. Oliveira Engenheiro agrônomo graduado pela Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP em Jaboticabal, SP. Mestre e Doutor em Solos e Nutrição de Plantas pela USP/ESALQ. Responsável Técnico pela Tera Ambiental.

 

Elke JBN Cardoso Professora Sênior da ESALQ/USP na área de Microbiologia e Biotecnologia do Solo. Formação: Agrônoma, Ph.D. na Ohio State University (USA) e Pós Doutorado na Universidade de Göttingen (Alemanha).

 

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Tópicos: fertilizante orgânico composto

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