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ECONOMIA CIRCULAR: “Uma abordagem para os fertilizantes orgânicos e condicionadores de solo”

Publicado em 22-08-2018 17:25

Fertilizantes orgânicos

Texto original no Anuário Brasileiro de Tecnologia em Nutrição Vegetal - ABISOLO | 2018

 

A Organização das Nações Unidas, em “Perspectivas da População Mundial – Revisão de 2017”, estima que até 2050 seremos 9,8 bilhões de habitantes no planeta Terra. Dessa forma, grandes desafios à humanidade se apresentam, já que a busca incessante pela sustentabilidade, o combate à pobreza e a preservação do planeta contrastam fortemente com a crescente demanda por alimentos, água, energia, insumos e produtos diversos. Em que pese faltarem apenas 32 anos para consumação deste cenário, hoje, a humanidade já demanda 1,7 vez a capacidade do planeta, se fossem atendidas suas necessidades plenas. Relevante observar ainda que aproximadamente 70% das pessoas, num futuro próximo, deverão viver em centros urbanos, contribuindo para a redução da força de trabalho no campo e, com isso, aumentando ainda mais a importância do agronegócio na produção e abastecimento de alimentos.

 

Para tanto, aumentar a produção e oferta de alimentos passa necessariamente por duas vias bem conhecidas, ou seja, pelo aumento de áreas cultivadas, pelo aumento da produtividade dessas áreas ou ainda pela combinação dessas vias, sendo a segunda a mais promissora e tangível.

 

Além disso, ganhos significativos na produtividade das culturas são alcançados com o emprego de tecnologias de ponta, as quais incluem mecanização e automação, recursos genéticos e biotecnológicos, defesa fitossanitária, irrigação e drenagem, eficientes técnicas no manejo dos solos, sobretudo no que tange aos seus teores de matéria orgânica, e um eficiente uso de tecnologias de nutrição vegetal. Sabe-se que o uso de fertilizantes pode representar até 25% dos investimentos de implantação e/ou manutenção das lavouras, dessa forma, produtos de qualidade e técnicas adequadas para promover a nutrição vegetal são essenciais para o aumento da produtividade.

 

Por sua vez, os condicionadores de solos, fertilizantes orgânicos compostos e fertilizantes organominerais contribuem significativamente para o aumento da produtividade das lavouras, trazendo ganhos econômicos e ambientais. Eles cumprem a nobre função de fornecer matéria orgânica aos nossos solos tropicais, repondo as perdas naturais do cultivo, aumentando a atividade microbiana nesses solos, suprimindo a atividade de organismos fitopatógenos, fornecendo macro e micronutrientes, mas, sobretudo, aumentando a eficiência agronômica dos fertilizantes minerais fosfatados e potássicos oriundos de recursos naturais finitos.


Não menos importantes são os aspectos ambientais envolvidos na produção e uso desses produtos, já que, em sua maioria, eles são produzidos a partir do tratamento de resíduos sólidos das mais diversas atividades antrópicas, incluindo atividades agropecuárias, agroindustriais, industriais e de saneamento urbano.

 

Neste contexto, é primordial citar a Lei Federal no 12.305 de 02/08/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), dispõe sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como as diretrizes, a gestão integrada e o gerenciamento dos resíduos sólidos. Entre suas definições, duas devem ser destacadas:

 

“VII – destinação final ambientalmente adequada: destinação de resíduos que inclui a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético ou outras destinações admitidas pelos órgãos competentes do Sisnama, do SNVS e do Suasa, entre elas a disposição final, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos,

 

VIII – disposição final ambientalmente adequada: distribuição ordenada de rejeitos em aterros, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos,”

 

Destaca-se também o seu Art. 9°

 

“Art. 9º – Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.”

 

A tecnologia da Compostagem é reconhecidamente capaz de transformar as características dos resíduos sólidos orgânicos, sejam eles de origem agropecuária, urbana, agroindustrial ou industrial, em um produto orgânico, com propriedades de condicionador de solos e/ou fertilizante para uso seguro na agricultura. A Compostagem de resíduos é, antes de tudo, uma importante atividade de tratamento de resíduos sólidos orgânicos, capaz de transformar suas propriedades físico-químicas, estabilizar a carga orgânica, higienizá-los, reduzir massa e volume, tornando-os seguros para uso visando à reciclagem de nutrientes e da matéria orgânica estabilizada.

 

Nesse caso, a atividade de tratamento dos resíduos pela técnica da compostagem ainda gera empregos, riquezas, traz grandes benefícios ao ambiente e pode resultar em excelentes insumos para a agricultura, perfazendo um emblemático exemplo da chamada Economia Circular ou economia restaurativa por natureza, que tem como foco atuar na reutilização ou transformação de resíduos em novos produtos, evitando passivos ambientais e apontando caminhos economicamente sustentáveis para os graves problemas oriundos da concentração de substâncias em toda a cadeia de produção de alimentos, concentrações em centros urbanos e parte significativa da geração de resíduos oriundos da atividade antrópica.

 

Assim, a combinação da PNRS com o conceito de Economia Circular forma um ciclo positivo e contínuo de desenvolvimento, pelo qual são preservados e aprimorados o capital natural, a geração de recursos e a minimização de riscos sistêmicos que racionalizam a exploração de estoques finitos e aqueles de fluxos renováveis. Esses conceitos atribuem forte apelo de sustentabilidade ao segmento produtor de condicionadores de solos, fertilizantes orgânicos compostos e organominerais, interligando magistralmente os aspectos econômicos, sociais e ambientais.

 

Importante ressaltar que a Economia Circular, ao determinar a possibilidade de criação de produtos de ciclos múltiplos de uso, reduz a dependência em recursos naturais ao mesmo tempo em que elimina o desperdício. Produtos oriundos desse modelo econômico são elaborados para circular de modo eficiente, com materiais biológicos, no caso de resíduos sólidos orgânicos urbanos, industriais e agropecuários, que retornam para a cadeia produtiva de alimentos como fertilizantes, sejam orgânicos ou organominerais, por meio da interligação da rede de negócios na transformação desses materiais e gerando novos fluxos de receita.

 

Daí a produção de insumos orgânicos para agricultura, advindos de práticas inseridas no conceito da Economia Circular, constitui um novo paradigma para o futuro em contraste com o modelo linear vigente. Essa abordagem aplicada à Compostagem de resíduos e obtenção de insumos orgânicos para a agricultura sustentável certamente abrilhantará grandes oportunidades de negócios para determinados segmentos da indústria brasileira de tecnologia para nutrição vegetal e em perfeita consonância com as imposições legais e os apelos ambientais para a sustentabilidade.

 

Desse modo, este novo paradigma de sustentabilidade abre excelentes perspectivas ao crescimento das empresas, solucionando grandes questões na gestão dos resíduos, aumento na produtividade agrícola e, consequentemente, do agronegócio. Dessa forma, o grande desafio para todos os atores – governo, empresas e consumidores – está em estimular a mudança de atitude por meio do estabelecimento de políticas de Estado, pesquisas científicas, divulgação e transparência na relação com os consumidores, todos direcionados e em sintonia com os princípios da Economia Circular.


Fernando C. Oliveira, Engenheiro agrônomo graduado pela Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP em Jaboticabal, SP. Mestre e Doutor em Solos e Nutrição de Plantas pela USP/ESALQ. Responsável Técnico pela Tera Ambiental.

 

Fernanda Latanze M. Rodrigues Engenheira agrônoma graduada pela Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP em Botucatu, SP. Mestre em Ciências pelo Cena/USP e Doutora em Solos e Nutrição de Plantas pela USP/ESALQ.

Tópicos: fertilizante orgânico composto

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