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O que os cemitérios devem saber sobre o tratamento de necrochorume

Publicado em 19-09-2018 9:36

necrochorume

Durante muitos anos, a implantação de cemitérios no Brasil foi feita em terrenos de baixo valor imobiliário ou com condições geológicas, hidrogeológicas e geotécnicas inadequadas, desrespeitando a Legislação que este empreendimentos devem adotar, segundo as resoluções da Norma Técnica da CETESB – L 1.040, que dispõe sobre instalações. Este cenário poderá propiciar a ocorrência de impactos ambientais (alterações físicas, químicas e biológicas do meio onde está implantado o cemitério) e fenômenos conservadores, como a saponificação.

 

Chorume pode ser descrito como um líquido escuro e ácido, de cheiro típico e desagradável, proveniente da decomposição da matéria orgânica, a partir de reações e processos físicos, químicos e biológicos do lixo, juntamente com a água da chuva que se acumula no local, normalmente aqueles depositados nos grandes lixões e nos aterros sanitários. O chorume que se desprende do lixão se infiltra no solo carregando micro-organismos, metais pesados, nitratos, fosfatos, além de outras substâncias poluentes, contaminando o lençol freático (reservatório de água subterrânea proveniente da água da chuva infiltrada no solo), e consequentemente os córregos e rios. Mas, não são somente nos lixões e aterros que se produz o chorume, há o caso particular dos cemitérios, responsáveis pelo que se denominou necrochorume.

 

A decomposição ou putrefação de um corpo compreende várias fases, das quais a fase humorosa ou coliquativa (dissolução pútrida das partes moles do corpo) é a mais preocupante em termos ambientais. É nesta fase (duração de dois ou mais anos) que ocorre a liberação do líquido humoroso (liquame, putrilagem), também conhecido por necrochorume.

 

Especialistas são unânimes que o perigo do necrochorume é devido aos microorganismos patogênicos, e seus riscos infecciosos. Pela ação das águas superficiais e das chuvas infiltradas nas sepulturas ou pelo contato dos corpos com as águas subterrâneas, o necrochorume pode atingir e contaminar estas águas. Se as mesmas fluírem para a área externa do cemitério e forem captadas através de poços escavados por populações que vivem no entorno, estas poderão correr sérios riscos de saúde.

 

Então, como os cemitérios devem agir diante do necrochorume?

 

De acordo com a RESOLUÇÃO CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) nº 335, de 3 de abril de 2003 - Publicada no DOU no 101, de 28 de maio de 2003, os cemitérios horizontais e verticais a serem implantados no Brasil terão que requerer licença ambiental para funcionarem. Tal resolução estabelece critérios mínimos que devem ser integralmente seguidos na confecção dos projetos de implantação, como forma de garantir a decomposição normal do corpo e proteger as águas subterrâneas da infiltração do necrochorume. Cabe informar que o não cumprimento da resolução implicará em sanções penais e administrativas.

 

Hoje existe uma série de métodos para tratamento do necrochorume e dentre esses métodos temos:

O Filtro Biológico que, antes de instalar os filtros, deve-se aplicar uma manta impermeabilizante (abaixo dos túmulos). A manta tem como objetivo auxiliar e proteger as águas subterrâneas da contaminação pelo necrochorume. Em seguida, serão instalados drenos que tem como objetivo coletar e  conduzir o líquido até os filtros biológicos e quando estes entram nos filtros, irá ocorrer a degradação em meio poroso (pedras, cascalhos, concreto). No entanto, a utilização desse método é mais comum em cemitérios parques, ou seja, para outros tipos de cemitérios é recomendado utilizar outros métodos.

 

Outro método comum são as Pastilhas e Mantas Absorventes. As pastilhas são bactérias consumidoras de matéria orgânica sintetizada em esporos e então agrupada em forma de pastilhas. Já a manta consiste em um plástico impermeável, que fica situado no fundo do túmulo ou urna. Essa manta possui uma camada de celulose em pó, que quando entra em contato com o necrochorume (a medida que o corpo vai liberando o líquido) transforma-se em um gel que irá reter o líquido e impedir que o mesmo extravase.

 

Já existe projeto em desenvolvimento para criar uma estação (de forma anaeróbia) para tratamento de necrochorume. As cargas orgânicas do material serão removidas em um tanque fechado, fazendo com que o necrochorume seja tratado e reutilizado para irrigação da terra do próprio cemitério.

 

O fundamental é que se estude e busque alternativas para o tratamento de necrochorume de forma que o mesmo não venha mais impactar o meio ambiente. Soluções definitivas ainda não existem, nem são consensuais, mas há a clara intenção de propiciar segurança ambiental às populações de forma sustentável e ambientalmente correta. 

 

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Tópicos: Necrochorume

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