O inventário de emissões de gases do efeito estufa (GEE) é um relatório gerado a partir da compilação e análise de dados a fim de gerenciar tais emissões, tendo grande importância para diversos tipos de empreendimentos. Elaborado conforme a norma ISO 14.064, tem um grande significado para a reputação de um empreendimento em relação à responsabilidade e sustentabilidade ambiental.
Assim, além de ter de cumprir por força de lei tal determinação, a empresa pode se beneficiar do marketing ambiental positivo. Dessa forma, a empresa ganha ao realizar o melhor planejamento para elaboração do inventário, tanto na redução de custos relacionados às etapas de seu processo e cadeia produtiva, como por meio de programas e práticas de compensação ambiental e crédito de carbono, tais como recomposição de vegetação e proteção de áreas verdes.
Entre os GEE´s, o dióxido de carbono (CO2) tem destaque, devido a uma parcela significativa ser resultado das atividades humanas. A remoção de CO2 da atmosfera se dá por diversos meios, tanto por solo quanto em tipos de uso e cobertura vegetal. Por isso a necessidade do levantamento das classes de vegetação, tanto natural, como aquelas originadas pelas atividades humanas como os reflorestamentos, áreas de agricultura e pasto, devem ser feitas seguindo parâmetros estabelecidos pelo órgão competente.
O mapeamento com localização, delimitação, distribuição espacial e a fração das classes, é essencial a fim de agilizar a produção do inventário.
Os mapas formam uma categoria de dados que representa de maneira gráfica as classes de um objeto ou tema com base em tipologias, como é o caso de vegetação e solo. Assim, o mapa é uma fonte de informação e deve mostrar ao usuário, de forma mais direta possível, o que é importante ao seu objetivo.
Para análise de biomassa e carbono das classes de vegetação natural, utilizam-se mapas e informações da fisionomia das classes de vegetação, ou seja, o aspecto mais geral dado pela altura, concentração e elementos típicos. As classes de vegetação podem ser de porte alto ou baixo, fechadas ou abertas, serem predominantemente de arbustos e gramíneas, perder folhas no inverno, entre outros fatores. Com relação ao solo, os fatores importantes são a porosidade, composição mineralógica (relacionada ao conteúdo e perda de matéria orgânica), estoque original de carbono e susceptibilidade à perda do mesmo.
Existem vários fatores que também exercem influência ao analisar o carbono nestas condições:
. Particularidades regionais ou locais como frequência e quantidade de chuva;
. Tipos de raízes da vegetação;
. Diversidade entre a idade da cobertura vegetal;
. Rebrota de lugares desmatados e posteriormente abandonados;
. Se a vegetação está em seu vigor ou em período de stress ou senescência.
Sobre o cálculo de estoque e emissão/captura de carbono, as informações de algumas características de vegetação e solo são mais importantes do que outras ou, até mesmo, mais importantes do que a classe em si. Em um exemplo genérico, suponhamos que um mapa tenha 3 classes de florestas e que tenham em comum o fato de serem perenes, seus indivíduos terem, em média, idades aproximadas e terem aproximadamente a mesma biomassa. Então essas três classes representam a mesma coisa em termos de biomassa que, por sua vez, relaciona-se ao estoque de carbono existente na vegetação e a capacidade desta em absorver carbono da atmosfera.
Dessa forma, a partir de um mapa que contenha grande variedade de classes, é possível gerar um novo mapa no qual as classes são agrupadas, reduzindo assim sua variedade.
Uma cobertura vegetal é formada por indivíduos pertencentes a uma ou mais espécies. No caso de uma cobertura vegetal natural, têm-se diversas espécies ocupando determinada área, o que pode ser exemplificado por uma floresta ou por um campo natural, os quais possuem uma variedade de espécies de árvores, arbustos e gramíneas. Por outro lado, um reflorestamento de eucalipto pode ser formado por indivíduos da mesma espécie de árvore (no caso, Eucalyptus spp), assim como o pasto ser composto por uma mesma espécie de gramínea.
A cobertura e o uso dos terrenos sofrem mudanças que podem ocorrer em curto período de tempo e de forma intensa, principalmente devido à interferência humana. Entre essas mudanças, temos a substituição de vegetação nativa por espécies cultivadas ou invasoras, as quais são introduzidas acidentalmente. Também ocorre mudança de vegetação quando tem-se remoção de forma continuada ou por ação de fogo, onde a vegetação original não se desenvolve mais, permanecendo as espécies secundárias como plantas oportunistas e mais resistentes. O terceiro tipo de mudança de vegetação é quando há a remoção e abandono, ocorrendo em sua regeneração várias etapas de sucessão.
A resolução espacial e a escala dos dados são fatores importantes aos objetivos e à área das unidades mapeadas para o inventário, e pode ter um impacto nas análises em paisagens muito fragmentadas ou que tenham um mosaico muito diversificado de tipos de uso/cobertura, o que é significativo com relação à questão do carbono.
Os mapeamentos para carbono são feitos a partir de mapas, os quais podem necessitar de revisão, devido à data, escala e critérios de classificação em que foram elaborados. Tal revisão é feita a partir de imagens obtidas por aeronaves, drones e satélites.
As imagens de satélites possuem a vantagem de proporcionar medidas rápidas para talhões, áreas extensas e variações temporais em intervalos grandes, mas também têm limitações: Alguns tipos de uso/cobertura não são discriminados, algumas características importantes podem não ser captadas, interferência de nuvens, etc. Assim, é fundamental a integração com outros dados e trabalho de campo.
Outras fontes são consideradas para obtenção de dados como:
O importante é ter um conjunto de dados que possam ser confiáveis e integrados, permitindo a geração de novos mapeamentos e relatórios que possam ser utilizados prontamente em inventários de empresas.
Os mapas com tipos de vegetação e solos são convertidos de forma a serem representados por campos numéricos, ou seja, uma grade com pontos relacionados a valores de estoque de carbono. No exemplo hipotético abaixo são apresentados, em forma de diagramas, a geração desse tipo de informação:
Com auxílio de mapas, são analisados em conjunto imagens de satélites e dados de topografia.
As classes identificadas nas imagens e a partir dos dados auxiliares, geram um novo mapa o qual é convertido em valores de carbono correspondentes a tais classes.
É importante ter tais dados organizados e consolidados, a fim de suprir a necessidade de atualização e uso nos inventários exigidos para as empresas. Isso permite:
Os campos relacionados aos valores de carbono podem ser úteis também para zoneamentos e planejamentos de atividades agrícolas, norteando projetos e planejamento a fim de auxiliar a precificação e crédito de carbono.
Atualmente legislações estaduais exigem a elaboração e divulgação do inventário de emissões de GEEs. Resoluções da Cetesb e do INEA, nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro respectivamente, exigem o inventário para a emissão e/ou renovação de licenças de operação em vários setores.
No entanto, o documento pode ir além da conformidade legal e redução de custos. Ao fazer um inventário, sua empresa poderá aprimorar sua gestão estratégica, valorizando e influenciando positivamente a sua cadeia de valor e pode ainda melhorar o posicionamento no mercado e gerar engajamento construtivo com as partes interessadas da sua empresa.
A obrigatoriedade do inventário para todos os setores já é uma realidade, por isso é sensato que as empresas preparam-se e evitem transtornos com as conformidades legais.